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Você está em paz com o seu sono?

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Se a sua resposta à pergunta acima for positiva, saiba que você é uma minoria. Cientistas mostram que, pelo menos, dois terços da população não seguem a recomendação de dormirem pelo menos 8h diárias de sono, isso considerando o público adulto, pois se pensarmos nas crianças e adolescentes que têm necessidade de mais horas de sono, esse percentual cresce. Mas para que precisamos dormir?


O hábito de dormir menos do que nosso corpo precisa, abala o sistema imunológico e duplica o risco de desenvolver câncer, demências, doenças coronárias, diabetes, entre outras enfermidades. Quem dorme pouco, em geral, sente mais fome, pois a falta de sono altera o hormônio responsável pela nossa sensação de fome.


Pessoas mais antigas costumavam dizer que a criança dormia com uma altura e acorda mais alta. Isso procede. É durante o sono que o hormônio do crescimento (GH) é liberado, logo, fundamental a importância de as crianças dormirem bem, em um espaço silencioso e escuro, pois, mais uma vez, somente no escuro o organismo produz melatonina, hormônio de manutenção do ciclo sono-vigília. Quando pensamos em hormônio do crescimento, logo temos em mente uma criança de desenvolvimento, mas não são somente elas que precisam dele. Uma pessoa que sofre um acidente, realiza uma cirurgia, precisa de qualquer processo de cicatrização também faz uso do hormônio GH, logo, deixar que a pessoa nessas condições aumente as horas de sono é essencial.


Cada indivíduo possui um cronotipo, ou seja, um perfil estabelecido pelo seu DNA que mostra a predileção por dormir mais cedo e acordar cedo, ou mais tarde, e, consequentemente, acordar mais tarde. Acontece que a nossa sociedade não leva em consideração essas diferenças, que são biológicas, afinal “Deus ajuda quem cedo madruga!” E o que acontece com quem tem o cronotipo noturno? Essas pessoas acabam tendo que se ajustar aos horários que favorecem aqueles que são matutinos, e assim, sofrem de Síndrome do atraso das fases do sono, podendo levar o indivíduo a mais sonolência diurna, problemas emocionais, déficits atencionais, dificuldade de concentração e baixo rendimento escolar.


Esse quadro de Síndrome do atraso das fases do sono se agrava ainda mais na adolescência, uma vez que nessa fase, o adolescente sofre por algumas alterações, que mesmo estando sem estímulos externos, tem grande dificuldade em pegar no sono. Alerta! É durante o sono que nossas memórias declarativas* e os aprendizados se fortalecem e se consolidam. Uma noite mal dormida, contribui para a não consolidação daquilo que foi estudado no dia anterior e a dificuldade de assimilação de novos ensinamentos.

Entre as crianças pequenas, além de tudo que já sabemos sobre a importância do sono, sabe-se hoje, que ele favorece o desenvolvimento da linguagem. Criança pequena precisa de muitas horas de sono, inclusive daquela soneca da tarde.

Os nutricionistas têm razões de sobra para explicarem o porquê não devemos deixar de alimentar uma criança enquanto os neurocientistas têm razões para afirmarem o porquê não devemos privar uma criança de sono. (Fernando Louzana, doutor em cronotipo)


Dormir não é demonstração de fraqueza e nem de preguiça, é vital. Devemos levar em consideração os benefícios que uma noite de sono bem dormida traz à nossa saúde, à nossa performance no trabalho e na escola e nos reorganizarmos para conseguirmos criar uma rotina saudável e revigorante.

*memória declarativa:


As memórias que registram fatos, eventos ou conhecimento se chamam Memórias Declarativas, porque nós, seres humanos, podemos declarar que existem e como as adquirimos.” Episódica ou biográfica: aquilo que assistimos ou vivenciamos; Semântica: conhecimentos gerais , Izquierdo, 2011

Autora: Renata Nieri Forastieri

Pós-graduanda em Neurociências aplicada à educação pela Santa Casa de SP, psicopedagoga e pedagoga.

Referências:

IZQUIERDO, Ivan: Memória. Porto Alegre: Artmed, 2011

LENT, Roberto: Ciencia para Educação: Uma ponte entre dois mundos. São Paulo: Ateneu. 2018

RIBEIRO, Sidarta: O Oráculo da noite: A história e a ciência do sono. São Paulo: Companhia das Letras, 2019

TIEPPO, Carla: Uma viagem pelo cérebro: a via rápida para entender neurociência. São Paulo: Conectomus, 2019

WALKER, Matthew: Por que nós dormimos. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018

NAPS IN SCHOOLS CAN ENHANCE DECLARATIVE MEMORY. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnsys.2014.00103/full

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